Sol-Plutão

Sobre um grande cânion, erguem-se formações rochosas…

É constrangedor encontrar alguém da minha vida passada por acaso na rua. Tenho vontade de fugir. Ela não sabe que morri? Por quê ela fala comigo como se me conhecesse? Reconhecesse.

Quando tinha sete anos soube de uma etnia indígena em que as pessoas trocam de nome a cada rito de passagem. Fiquei encantada com isso. Algo em mim já sabia que iria morrer em vida muitas vezes.

Como explicar, aquela que você viu pela última vez – há dois anos atrás – não existe mais. Cada ano é um giro da Terra em torno do Sol.

Como eu gostaria de ter outro nome. Alguma indicação. Encontrar a pessoa na rua e dizer “meu nome hoje é este”. Quando acho que vou conseguir me alcançar, me tocar, algo já se desfez. O “mim” escapa, nunca alcanço. No espelho, desde criança, olho desfocada para um ponto entre meus olhos. O rosto se desfigura, vai se transformando em animais, velhas, crianças, homens estranhos, figuras de outro tempo, seres, mulheres de pedra, de raiz, manchas de cor, uma pintura de Lucian Freud…

Eu agora me vejo de dentro, mas a visão do fora ainda é assustadora. Vídeos, fotos, quem está ali? Sem funerais trágicos, desejo outros enredos. Diante de mim, novamente a vida me rasgando, os encontros me rasgando, me obrigando a estar sempre à frente ou a um passo de chegar.

Hoje menos. Hoje existem resgates. Descida à Hades, buscar Perséfone raptada. Não apaguei meus antigos nomes. Guardo cada batismo nesse altar imaterial, sem flores ou ícones. Um altarzinho para recolher minhas mortas.

Cada fim de relação, cada rompimento, é morte. Sei do paradoxo, não precisa vir me falar de renascimento. Mas o que sinto é uma morte contundente. Tem que abaixar a cabeça quando se chega a Seu reino.

Hades entronado.

ilustração por Julia Francisca, nanquim sobre papel, 2010.

[A cena cinematográfica que mais me fascina; o último sonho de Kurosawa. Cortejo de crianças. O velho colorido. Fúnebre e alegre. Dança.]

Sempre tem alguma parte de mim em decomposição. Pessoas dentro de mim que não tive a chance de fazer velório. Pessoas que matei. Pessoas que me mataram… Pessoas que fui resgatar lá em baixo.

Há pouco tempo tenho uma composteira em casa, cheia de minhocas. Com chorume, alimento as plantas e afasto pragas.

[Claro que chuvisca lágrima no altar de dentro. Veja, faz bem regar os vasos.]

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Julia Francisca, dezembro, 2015.

Aula aberta de astrologia

“Mapa astral, como funciona? Uma introdução às leituras poéticas” Aula aberta com a astróloga Julia Francisca esse domingo, dia 24/2, das 13h às 14h30

Onde? @institutoapekatu – Rua Airosa Galvão, 139. Perdizes. São Paulo-SP .

Transmissão ao vivo no Instagram @trama_celeste

Como olhar o desenho do mapa astral? O que são os signos, planetas e casas? Como assim ‘leituras poéticas’? Uma oportunidade também para quem deseja saber mais sobre o Curso de formação em astrologia 2019. Haverá sorteio de fanzines e publicações do selo #ediçõesnectarina para quem vier no dia ou acompanhar a live do Instagram! .

Evento gratuito, não precisa de inscrição. Convidem as amizades! =)

Curso de formação em astrologia

Estão abertas as inscrições para as turmas de 2019! Mais informações no site www.tramaceleste.com.br

Neste curso a proposta é pensar astrologia como ferramenta de criação de leituras. Uma prática de criar leituras sobre as experiências – experiências vivas. São leituras poéticas porque envolvem um trabalho de criação. Encontrar instrumentos para escrever outras histórias, criar novos sentidos, subverter sentidos prontos, escolher diferentes caminhos. Esta é uma astrologia contemporânea que se vale da psicanálise e da prática da escuta. Assim como da filosofia para pensar nossas ações diante do cosmos. A arte costura todas as aulas, que são permeadas de referências artísticas e poéticas. Cada encontro acompanha material desenvolvido para o curso, além  de bibliografia sobre os temas.

> CURSO BÁSICO DE ASTROLOGIA (1o. ANO) – Zodíaco, signos, planetas e casas

Quinzenal – Quartas, das 19h30 às 22h

Intensivo – Sábados, uma vez por mês, das 12h às 17h

– Carga horária total: 50h/ano

– vagas limitadas

– certificado de participação ao final do curso

– Mensalidade: R$180 (março a dezembro)

– Inscrição: R$50

– Local: Instituto Apekatu, R. Airosa Galvão, 139 – Perdizes

Depois do curso básico é possível dar continuidade:

> CURSO AVANÇADO DE ASTROLOGIA (2o. ANO)

– planetas nas casas, aspectos entre planetas e nódulos lunares

> GRUPO DE ESTUDOS (a partir do 3o. ANO)

– leituras poéticas de mapa astral e trânsitos

Julia Francisca estuda astrologia há mais de dez anos e oferece o curso de formação desde 2016. Foi uma das proponentes do 1o Seminário do Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC-SP, da Pós-Graduação em Psicologia Clínica em 2016. É artista plástica e edita o selo feminista Edições nectarina.

Vale uma leitura de mapa astral

Dessas coisas que eu adoro fazer.

Esse é um vale-presente de aniversário: “vale uma leitura de mapa astral para a Rafaela”.

O cartão foi feito à mão com caneta prateada, recortes e fita adesiva colorida.

Se quiser presentear alguém, pode pedir que eu faço um cartãozinho como este.

Depois, é só a pessoa mandar um e-mail com os dados de nascimento e podemos agendar. =)

envelope_cartão_frente

cartão_frente

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“Eu também não acredito em signos”

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Foi o que respondi pra ela. A Astrologia é apenas um meio de simbolizar nossa passagem pelo mundo. Signo pra mim não é uma questão de crença ou fé. Os signos são imagens, são uma construção coletiva que fez sentido para algumas culturas e que continua a fazer sentido para algumas pessoas na contemporaneidade.

Se abrir sentido, pois bem, se não, que abra em outras perspectivas de mundo, outras concepções. Penso que os signos podem servir apenas como chaves para acessarmos algo que nos diz respeito, mas ainda não tem nome. A Astrologia não pode ser autoritária, a ideia dos signos é apenas uma ponte para que a pessoa se reconheça e entre em contato com suas próprias mitologias.

O princípio do signo é infinito e suas possibilidades também. Cada Sol em Aquário é uma expressão própria de Sol em Aquários. Por isso a leitura do mapa astral deve sempre estar profundamente ancorada na experiência pessoal de cada um. Nessa perspectiva não há uma leitura à priori, o mapa é tão vivo quanto a própria pessoa.

Podemos pensar apenas em possíveis pontos de partida para este passeio que a Astrologia nos convida. Viajar pelas imagens, representações, histórias, mitos, dizeres, para nos aproximarmos um pouco mais de nós. Para que a gente possa fazer o exercício de dar sentido para nossa caminhada e não assimilar sentidos dados.

– Julia Francisca é astróloga e busca uma perspectiva poética e imagética da Astrologia.