Farejando Lilith: Diálogos

A série “Farejando Lilith” traz textos e imagens que buscam se aproximar do universo de Lilith na Astrologia.

O novo texto dessa série é “Lilith em Diálogo”, produzido por Julia Francisca e Viviane Gonçalves.

Texto em PDF: Lilith_em_Diálogo

“Ela usa uma roupagem selvagem porque estamos falando de algo que a gente não conhece. Ela não diz respeito a uma consciência feminina, a essa consciência aprendida, mas à consciência daquela que ouve a chuva pela primeira vez e que não sabe que é a chuva. Quando ela sai, se molha e percebe que aquilo também é dela, que aquilo se faz ela. É o nascimento dessa fertilidade, desse acontecimento que antecede tudo aquilo que é pensado sobre o feminino. Acho que a Lilith é o não-pensado feminino, porque se tirarmos tudo que a gente tem sobre concepção de feminilidade, de feminino, é nessa fresta que pode passar a Lilith, é conduzido um caminho de passagem.”

Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d'Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358
Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d’Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358

Oficina “Lilith e as representações da Mulher Selvagem”

ilustração por Julia Francisca
ilustração por Julia Francisca

Pessoal, mês que vem vai rolar a oficina de astrologia e arte “Lilith e as representações da Mulher Selvagem” no Centro Cultural da Juventude. Chamem as amigas! ♥

Dias 10 e 17/out, sábados, das 15h às 18h.
Oficina gratuita. Apenas para mulheres. 20 vagas.
Inscrições a partir de 22/set, no site www.inscricoes.ccj.art.br

>>> Oficina: Lilith e as representações da Mulher Selvagem

A oficina parte de uma pesquisa a respeito de Lilith (Lua Negra) na Astrologia e as representações da Mulher Selvagem na arte e na mitologia. A proposta é criar um espaço acolhedor apenas para mulheres, onde elas possam pensar juntas o caráter incivilizado e rebelde do Feminino. Haverá oportunidade para roda de conversa, criação e compartilhamento de produção literária e artística. Cada mulher que irá participar da oficina está convidada a levar seus textos, depoimentos, desenhos, referências e pesquisas sobre o tema.

Com Julia Francisca, astróloga e artista plástica, autora do blog Trama Celeste.

programação do Centro Cultural da Juventude
programação do Centro Cultural da Juventude

Oficina – A poética dos Signos e os Quatro Elementos

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A poética dos Signos e os Quatro Elementos

Podemos pensar a Astrologia como uma linguagem que propõe leituras, escritas e traduções do espírito de cada tempo. Os signos e os quatro elementos podem ser encarados como chaves para ler essas diferentes qualidades simbólicas e narrativas.

Por sua vez, a poesia é uma linguagem que explora a dimensão invisível presente no visível. Escuta os paradoxos do ser-não-ser e nos abre para uma leitura ontológica da vida.

Esta oficina propõe a articulação entre o universo da Literatura e da Astrologia enquanto uma linguagem poética. Para nos aproximar das dimensões imagéticas dos quatro elementos e dos signos, os encontros contam com o intercâmbio de diferentes linguagens (Artes Visuais, Cinema, Literatura…).

com Julia Francisca, astróloga, artista plástica e educadora

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Sábados, das 15h00 às 18h30
22.ago – FOGO: Áries, Leão e Sagitário
19.set – TERRA: Touro, Virgem e Capricórnio
24.out – AR: Gêmeos, Libra e Aquário
21.nov – ÁGUA: Câncer,  Escorpião e Peixes
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07 vagas / Investimento: R$120 por encontro
Local: 10min. do metrô Consolação, São Paulo-SP.
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Inscrições até 10/08 pelo e-mail: juliafrancisca@tramaceleste.com.br

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PROGRAMA DO CURSO 

Microsoft Word - programa do curso_divulg.docx

Microsoft Word - programa do curso_divulg.docx

Programa do Curso em PDF

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Fio de Ariadne

Ah, esse fio de Ariadne…
Por uma Astrologia que testemunhe e dê voz poética a esse eterno tecer.
Sem saídas definidas, seguimos em trajeto.

post Antonio Cicero

Trecho do poema “O Livro de Sombras de Luciano Figueiredo” de Antonio Cícero. Em “Porventura”, 2012, Ed. Record.

Ilustração por Julia Francisca.

Ano Novo

ano novo editado

“O vento sopra sobre o lago e agita a superfície da água.

Assim, do invisível manifestam-se efeitos visíveis.”[i]

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O Ano Novo tem um efeito estranho sobre mim. Parece que quando o ano está terminando o tempo começa a ficar suspenso, dilatado.

Eu sempre uso agendas, as de papel mesmo, gosto do contato físico com esse livrinho do tempo, de rabiscar, passar as páginas… Quando tenho em mãos uma nova agenda, de um ano que ainda está por vir, tenho o costume de folhear as páginas em branco até os últimos dias do ano que ainda não começou e me pergunto como minha vida terá se desdobrado até lá.

Fim de ano é um período em que esse sentimento de porvir, de vir-a-ser, fica mais latente para mim (o Vazio incrustado em tudo o que É silenciosamente se anuncia). “Ano Novo” é algo que só existe enquanto expectativa, é um termo que traz em si o não-é, o que ainda não se realizou, mas que existe invisível enquanto potencialidade.

“Ano Novo” então, é um conceito que dá nome a algo que ainda não se manifestou, é um nome para o que não pode ser nomeado, ainda não tem face, está encoberto, mas que lateja em silêncio em algum lugar (fora e dentro de nós).

Às vezes eu consulto o oráculo do I Ching, de maneira autodidata, informal. Esses dias, ao perguntar sobre o ano que virá, saiu para mim o hexagrama Verdade Interior.

“O ideograma Fu (Verdade) é, de fato, a representação da pata de uma ave sobre um filhote. Isso sugere a ideia de chocar. O ovo é oco. O poder vivificante do luminoso deve agir do exterior, mas é preciso que haja um núcleo de vida no interior para que ela possa ser despertada.”[ii]

Essa passagem (se é que a entendi), diz sobre este lugar vazio e oco de onde a vida, o novo pode despertar. O novo tempo, o amanhecer de um novo ano, nos ilumina e faz germinar algo que já estava em nosso interior.

Acolher, habitar e sustentar este lugar vazio dentro da gente, lugar de abertura e de não-ser, pode ser insuportável para nós, ocidentais, contemporâneos, capitalistas, ensinados apenas a olhar o visível, escutar o que está dito e preencher, preencher, preencher tudo que é silêncio e não-É.

Nessa época do ano, muitas pessoas procuram a Astrologia em busca de previsões, em busca de respostas e preenchimentos para esta angústia de futuro, essa angústia de indefinição.

Para mim, a Astrologia nesses momentos faz sentido apenas como forma de escutar isso que não está dito, de repousar nesse invisível que está se costurando dentro e fora de nós. A Astrologia, pode ser esse exercício de cartografar o que está (in)surgindo, de ouvir isso que ainda não brotou, mas que já está ali, em gestação.

Dessa forma, a leitura do mapa astral e dos trânsitos nessa época do ano, antes de preencher e dar respostas, pode ser uma prática de se reposicionar perante a própria vida e acolher o fluxo, o movimento desse nosso eterno vir-a-ser.

É como se pudéssemos, assim como as pacientes aves-mães, repousar sobre o oco ovo e chocar esse ano novo que se anuncia dentro e fora de nós.

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Julia Francisca

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Feliz Ano Novo a todas as pessoas que acompanham o blog e a página do facebook, a partir do ano que vem haverá postagens toda quinta-feira.

Acompanhe e compartilhe com as amizades =)

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[i] I Ching: o livro das mutações. Pg. 185. Ed. Pensamento

[ii] idem