Newsletter_ Cartas Celestes

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Olá! 

Se você está recebendo este email é por que me conhece ou entrou em contato comigo, fez um curso ou buscou leitura de mapa astral. 

Esse ano percebi que, para mim e muita gente, a internet, as redes sociais, o celular, viraram um espaço de ansiedade – ladrões de tempo.

Pensar astrologia a partir de uma perspectiva po-ética envolve criar outras relações com o tempo. Desejo tecer outras redes e tramas de comunicação, cultivar conversas mais artesanais com as pessoas.

Cartas Celestes é a maneira que encontrei de manter essa conversa por e-mail. 

Uma espécie de newsletter, um folhetim online astrológico e poético. 

O tempo atual traz muitas camadas de adoecimento coletivo – dos corpos, da terra, do ar, da mente… Por isso nessa primeira Carta Celeste ofereço o Dossiê Poético de Quíron – uma curadoria de arte e literatura para mapeamentos curativos.  

Atualmente Quíron está caminhando por Áries e traz como assunto a prática do cuidado, a perda e criação de novos sentidos, como manter a chama acesa, como reconhecer a fragilidade, o tempo das coisas, como criar outros futuros que não partam da brutalidade… Neste contexto de pandemia e adoecimento político Quíron pode ser imagem-ferramenta para cuidar do que é pessoal e coletivo, encontrar potência a partir do que se esgotou.

Estou disponível para trocas, perguntas, impressões.

A próxima carta virá em janeiro.

Um abraço, Julia Francisca.

Curso online Lua e os 4 elementos

Curso online de arte e astrologia poética com Julia Francisca.
Astrologia poética é uma abordagem que trata astrologia como linguagem artística e sensível, não determinista. Neste curso as imagens da Lua e dos quatro elementos vão servir de ponto de partida para exercícios de criatividade e de auto-reconhecimento, auto-mapeamento. A Lua na astrologia é metáfora para a intimidade, a casa, o espaço interior. A proposta do curso é investigar o habitar, as poéticas da casa, do espaço, do corpo, dos territórios que habitamos.

INSCRIÇÕES AQUI: https://forms.gle/acnsU3kPNZRbcfLT8

  • Aberto para QUALQUER pessoa com experiência ou não em arte ou astrologia.
  • AULAS AO VIVO via zoom dias 18, 19, 25 e 26 de julho
  • Sábados e domingos, das 20h às 22h
  • Espaço para perguntas via chat durante a aula
  • As aulas ficam gravadas e disponíveis até outubro
  • Quem se inscrever vai receber E-BOOK com material exclusivo
  • Todas as aulas acompanham exercícios simples de colagem, foto e escrita

CRIAÇÃO DE LIVRO ONLINE COLETIVO – depois das aulas quem quiser poderá enviar as suas criações para fazer parte de uma publicação sobre Lua e os quatro elementos. Prazo para enviar as criações dia 16/08, lançamento online dia 24/8.

PAGAMENTO
A contribuição é consciente e deve ser realizada por transferência bancária.
Valor sugerido R$300
Valor mínimo R$40

Parte do valor será destinado à Ong Mulheres da Luz que garante dignidade para mulheres em situação de prostituição no centro de São Paulo-SP.

Vale uma leitura de mapa astral

Dessas coisas que eu adoro fazer.

Esse é um vale-presente de aniversário: “vale uma leitura de mapa astral para a Rafaela”.

O cartão foi feito à mão com caneta prateada, recortes e fita adesiva colorida.

Se quiser presentear alguém, pode pedir que eu faço um cartãozinho como este.

Depois, é só a pessoa mandar um e-mail com os dados de nascimento e podemos agendar. =)

envelope_cartão_frente

cartão_frente

cartão_costas

Farejando Lilith: Diálogos

A série “Farejando Lilith” traz textos e imagens que buscam se aproximar do universo de Lilith na Astrologia.

O novo texto dessa série é “Lilith em Diálogo”, produzido por Julia Francisca e Viviane Gonçalves.

Texto em PDF: Lilith_em_Diálogo

“Ela usa uma roupagem selvagem porque estamos falando de algo que a gente não conhece. Ela não diz respeito a uma consciência feminina, a essa consciência aprendida, mas à consciência daquela que ouve a chuva pela primeira vez e que não sabe que é a chuva. Quando ela sai, se molha e percebe que aquilo também é dela, que aquilo se faz ela. É o nascimento dessa fertilidade, desse acontecimento que antecede tudo aquilo que é pensado sobre o feminino. Acho que a Lilith é o não-pensado feminino, porque se tirarmos tudo que a gente tem sobre concepção de feminilidade, de feminino, é nessa fresta que pode passar a Lilith, é conduzido um caminho de passagem.”

Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d'Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358
Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d’Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358

Farejando Lilith_ser terra

Da terra sangrenta, um ser de barro escuro toma forma

Da terra nasce primeira filha

sua carne, a carne da terra

Ela sabe, corpo que sabe

sentir a textura e os cheiros dos seres todos que habitam ao redor

ser terra

ser rocha

ser raíz

ser tronco

ser pele

ser pêlo

Ela tem olhos de vaca

seu olhar é plácido

contempla a beleza do que é

.

> Julia Francisca, 2015.

[será essa uma Lilith em Touro?]

[Imagem: Estatueta feminina mais antiga já encontrada, produzida entre 25.000 e 22.000 a.C.
“Vênus de Willendorf”. Possui 11 cm e encontra-se no Museu de História Natural de Viena.]

Farejando Lilith

Fotografia de Francesca Woodman
Fotografia de Francesca Woodman

Prelúdio

terra repousa em si

do repouso brota voz

canta silenciosamente

cantar silencioso da voz da terra que repousa

traz uma semente do céu

semente do céu

cai

cai

cai

vai de encontro ao silêncio

terra encharcada de sangue

surgem rochas as filhas mais antigas

as rochas guardam o cântico silencioso da terra dentro de si

surgem as feras

feras rasgam a terra

saem ensanguentadas a correr e urrar

suor das feras carrega canção silenciosa dentro de si

surgem animais

nos pelos penas dentes escamas órgãos patas

manchas de terra punhado de silêncio

terra aos poucos se faz carne

músculos veias órgãos ossos tripas

nasce primeira mulher

escorre leite dos seios da primeira mulher

leite forma poças poços lagos rios corredeiras oceanos

águas dançam

cada uma a seu ritmo entoam a música terra

despertam o vento

vento sacode os cabelos da primeira mulher

 cabelos entram na terra

saem raízes e árvores

árvores tocam os céus

com o afago das folhas

céus se comovem

choram

sementes gotas caem na terra

povoam ventre das feras animais mulher

todos os ventres carregam o cantar da terra

em todo seu silêncio

  • Julia Francisca, 2012

[ Essa é uma espécie de cosmogonia pessoal, onde o princípio feminino fecunda a si mesmo. Faz parte de um projeto de vida chamado “Mitologias Íntimas”. Eu sempre preciso de um pouco de coragem para trazer essas coisas ao mundo… ]

Oficina “Lilith e as representações da Mulher Selvagem”

ilustração por Julia Francisca
ilustração por Julia Francisca

Pessoal, mês que vem vai rolar a oficina de astrologia e arte “Lilith e as representações da Mulher Selvagem” no Centro Cultural da Juventude. Chamem as amigas! ♥

Dias 10 e 17/out, sábados, das 15h às 18h.
Oficina gratuita. Apenas para mulheres. 20 vagas.
Inscrições a partir de 22/set, no site www.inscricoes.ccj.art.br

>>> Oficina: Lilith e as representações da Mulher Selvagem

A oficina parte de uma pesquisa a respeito de Lilith (Lua Negra) na Astrologia e as representações da Mulher Selvagem na arte e na mitologia. A proposta é criar um espaço acolhedor apenas para mulheres, onde elas possam pensar juntas o caráter incivilizado e rebelde do Feminino. Haverá oportunidade para roda de conversa, criação e compartilhamento de produção literária e artística. Cada mulher que irá participar da oficina está convidada a levar seus textos, depoimentos, desenhos, referências e pesquisas sobre o tema.

Com Julia Francisca, astróloga e artista plástica, autora do blog Trama Celeste.

programação do Centro Cultural da Juventude
programação do Centro Cultural da Juventude

Urano em trânsito

“a linha que conduz minha vida

revela-se a cada descontinuidade”

Julia Francisca

Trabalho de land art do artista Walter de Maria,
Trabalho de land art do artista Walter de Maria, “The Lightning Field” (1977).

se a vida é um tecido aberto em eterna costura, Urano é o próprio tecer da vida

com Urano atravessamos a ponte

a ponte cai

o que temos então é a fenda-fresta

não há retorno possível, lugar de origem

o raio subitamente ilumina

as linhas agora, são linhas de fuga

apontam para o estranho vir-a-ser do mundo

é possível dar passagem ao raio?

se entregar ao espanto ?

“Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão – e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir.”

Clarice Lispector. Trecho do conto “Amor” extraído do livro “Laços de Família”, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1998, pág. 19.


O sol está em Virgem

A rendeira, de Johannes Vermeer (1669/1670)

O signo que, nos pequenos gestos, no olhar atento, ouve o pulso da natureza em eterna cadência, ele mesmo uma parte ínfima dessa partitura.
Nada é pequeno demais, tudo tem sua importância.
– Julia Francisca

“Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.”
Adélia Prado