Áries

O Sol está em Áries! Tem duas imagens que gosto de usar para Áries, primeiro signo do zodíaco. A primeira é a imagem do Big Bang; a explosão original que dá início ao universo e lança com velocidade todo o cosmos em expansão. A outra é a imagem do parto, o ato de nascer, primeiro contato com a vida – de forma crua, selvagem e intensa como a vida há de ser. É preciso coragem para cortar o cordão umbilical e ir à luta, traçar um caminho singular. 

Tenho visto que Áries nos últimos anos se tornou o signo maldito da vez. As pessoas adoram falar como pessoas arianas são terríveis, Satanáries, etc. Tenho vontade de fazer camisetas com a frase “pessoas não são signos, signos não são pessoas”. Áries é o fogo cardinal, potência de colocar as coisas em ação, energia e vibração primordial que traz o movimento e dá início à vida. A astrologia parte da observação dos fenômenos da natureza para criar leituras sobre as experiências humanas. Um raio é bom ou mau caráter? Um carneiro é legal ou chato? Perguntas que não fazem sentido mas ainda assim as pessoas insistem em fazer da astrologia uma arte moral, cheia de julgamentos, qualidades e defeitos, que valoriza certos aspectos em detrimento de outros. 

Vivemos numa era que valoriza a imagem, as pessoas querem estar “bem relacionadas” e mostrar o melhor lado de si. Também querem estar bem apaziguadas, sem angústia ou fome de viver, um robô eficiente e morno que sai bem na foto. Pois Áries é um signo que fala sobre a beleza das coisas brutas e honestas, sem filtro, como as crianças que são, sendo. Um signo que nos conta sobre a importância da luta, nos diz que a ação nos mantém vivas e é preciso um ato vigoroso para romper a inércia e produzir diferença. Como disse uma querida amiga ariana: Julia, o importante é não ficar parada! Áries segue em frente abrindo novos caminhos.

Touro

Touro é o primeiro signo de terra do zodíaco, momento em que a força inicial do fogo ganha corpo, consistência, tempo. Se Áries é o Big-Bang que inicia o universo, Touro são os planetas entrando em órbita, se tornando redondos, condensação de poeira estelar. Um signo de encarnação, tornar carne, habitar a primeira casa que temos: nosso próprio corpo. Como o bebê que acaba de nascer e vai experimentar pelos sentidos o mundo ao redor. Sentir o sabor das coisas para conhecê-las, uma inteligência sinestésica que parte da escuta do próprio corpo para conhecer o mundo – o macio, o áspero, o salgado, o doce. Presença de montanha, reconhecimento do aqui e agora, busca por território, chão onde pisar, consistência. Um signo que cuida do que é primário pra nossa sobrevivência: nutrição, abrigo, repouso.

A terra é um elemento que fala dos processos do corpo, da matéria, do que tem forma, do que está sob as ordens do tempo-espaço. Só que vivemos numa cultura profundamente metafísica, separamos corpo e mente, usamos a Terra como se ela fosse uma coisa sem vida que podemos simplesmente nos apropriar. Por isso os signos de terra são reduzidos a coisas muito literais, Touro é retratado muitas vezes apenas como um signo que come, dorme e busca prazer.

Pra pensar em Touro gosto de trazer os antigos rituais de agradecimento à terra, rituais de fertilidade onde entregamos parte da colheita e do alimento à terra de onde viemos. Num mundo em que as pessoas estão tão alheias a si mesmas, consumidas pelo tempo da máquina, Touro pode nos dizer sobre a importância da ruminação, do reconhecimento dos tempos, dos processos. A nutrição não é apenas barriga cheia, envolve o processo de digestão, nosso corpo precisa de tempo pra absorver e tornar seu o que vem de fora. O sono não é apenas preguiça, é o momento em que produzimos memória e assimilamos tudo o que vivemos durante o dia. Touro é um signo muito primitivo, nos fala das coisas básicas da vida, a necessidade de estar aqui e não além. Vivemos no mundo da máquina, de pessoas robotizadas, anestesiadas e Touro nos fala da importância de voltar pros sentidos, pro sensível.

Um signo que pode nos ensinar sobre a inteligência do corpo, a inteligência da terra. Escutar o corpo para nos conhecer, conhecer o mundo e estar aqui com outra presença.