Sobre vulnerabilidade e fascismo

Pintura de Frida Kahlo, O veado ferido.

 

O quê fazer com nossa vulnerabilidade? Quais sentidos nós damos para aquilo que nos fere? Hoje tivemos aula sobre Quíron no curso de astrologia. Quíron na mitologia grega é o centauro que depois de ser ferido por uma flecha sai em busca por conhecimento e por fim cria a medicina. Ele é o alquimista que transforma chumbo em ouro e a partir do reconhecimento de sua fragilidade pode se conectar com os outros seres. É preciso coragem pra isso e muita força também. Sustentar a dúvida é uma coragem, não se render a respostas simples e prontas. Não se blindar com medo de ser permeado pelo que não conhecemos. Quíron nos diz que não há respostas prontas, nem sentidos dados. Precisamos criar sentido para nossas vivências, sair de uma condição passiva, que apenas padece fatalidades e encontrar nossa capacidade de ação, criação, conexão e contágio. Covardes e fracos são os totalitários, os que têm certezas absolutas, os que precisam aniquilar qualquer coisa diferente de si mesmos por medo do desconhecido. Que nesses momentos de terror Quíron possa nos inspirar a encontrar a força da empatia e do cuidado.

 

A última fala de Tomek

Todas as coisas do mundo
carregam consigo uma ternura selvagem.
O primeiro passo é não temer o selvagem.
O segundo, remover a ganga de diamante e
gordura que a linguagem socou
em cada um de nós.
Agora vem a parte mais difícil.
É preciso sonhar tudo de novo.

ALBERTO MARTINS