Áries

O Sol está em Áries! Tem duas imagens que gosto de usar para Áries, primeiro signo do zodíaco. A primeira é a imagem do Big Bang; a explosão original que dá início ao universo e lança com velocidade todo o cosmos em expansão. A outra é a imagem do parto, o ato de nascer, primeiro contato com a vida – de forma crua, selvagem e intensa como a vida há de ser. É preciso coragem para cortar o cordão umbilical e ir à luta, traçar um caminho singular. 

Tenho visto que Áries nos últimos anos se tornou o signo maldito da vez. As pessoas adoram falar como pessoas arianas são terríveis, Satanáries, etc. Tenho vontade de fazer camisetas com a frase “pessoas não são signos, signos não são pessoas”. Áries é o fogo cardinal, potência de colocar as coisas em ação, energia e vibração primordial que traz o movimento e dá início à vida. A astrologia parte da observação dos fenômenos da natureza para criar leituras sobre as experiências humanas. Um raio é bom ou mau caráter? Um carneiro é legal ou chato? Perguntas que não fazem sentido mas ainda assim as pessoas insistem em fazer da astrologia uma arte moral, cheia de julgamentos, qualidades e defeitos, que valoriza certos aspectos em detrimento de outros. 

Vivemos numa era que valoriza a imagem, as pessoas querem estar “bem relacionadas” e mostrar o melhor lado de si. Também querem estar bem apaziguadas, sem angústia ou fome de viver, um robô eficiente e morno que sai bem na foto. Pois Áries é um signo que fala sobre a beleza das coisas brutas e honestas, sem filtro, como as crianças que são, sendo. Um signo que nos conta sobre a importância da luta, nos diz que a ação nos mantém vivas e é preciso um ato vigoroso para romper a inércia e produzir diferença. Como disse uma querida amiga ariana: Julia, o importante é não ficar parada! Áries segue em frente abrindo novos caminhos.

Poesia para Áries

Ano novo na Astrologia.

O Sol entra em Áries, a roda do Zodíaco dá mais um giro.
A cada novo signo, uma poesia, uma imagem.
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Áries _ 20/março a 20/abril _ elemento fogo
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“Passagem das horas

(…)
Cavalgada alada de mim por cima de todas as coisas,
Cavalgada estalada de mim por baixo de todas as coisas,
Cavalgada alada e estalada de mim por causa de todas as coisas…

Hup-la por cima das árvores, hup-la por baixo dos tanques,
Hup-la contra as paredes, hup-la raspando nos troncos,
Hup-la no ar, hup-la no vento, hup-la nas praias,
Numa velocidade crescente, insistente, violenta,
Hup-la hup-la hup-la hup-la…

Cavalgada panteísta de mim por dentro de todas as coisas,
Cavalgada energética por dentro de todas as energias,
Cavalgada de mim por dentro do carvão que se queima, da lâmpada que arde,
Clarim claro da manhã ao fundo
Do semicírculo frio do horizonte,
Tênue clarim longínquo como bandeiras incertas
Desfraldadas para além de onde as cores são visíveis…
(…)”

Álvaro de Campos
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Retirado do livro “Quando fui Outro”, ed. Objetiva.
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Detalhe de pintura de William Turner, "The Burning of the House of Lords and commons".
Detalhe de pintura de William Turner, “The Burning of the House of Lords and commons”.

Áries em percurso

O movimento dos signos

Podemos pensar o Zodíaco como um circulo cromático.

escala signos

        Cada signo tem sua cor própria, porém carrega um pouco do signo anterior, enquanto se abre para o signo seguinte. O movimento desse círculo começa em Áries, completa uma volta inteira em Peixes e continua seu curso numa eterna espiral.

        Além desse caminho dentro do Zodíaco, os signos também têm seu movimento interno: eles podem ser olhados como uma força viva que traz seus próprios desdobramentos e passagens.

        O texto a seguir é fruto de pesquisa desenvolvida para a oficina “O movimento dos signos” realizada em março de 2014 e procura olhar os signos a partir da noção de percurso.

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