Oficina: Lilith e as vozes selvagens

Como desconstruir o que foi domesticado, programado? Acolher aquilo que é visto como monstruosidade? Dar passagem a vozes selvagens deixadas no silêncio? Como encontrar alegria nesses processos? .

Lilith e as vozes selvagens é uma oficina que articula as linguagens da astrologia e do teatro para pensar essas questões. Jogos teatrais, consciência corporal, conversas sobre Lilith (Lua Negra) na astrologia, literatura e mitologia. A proposta é criar um espaço seguro para experimentação do corpo, do pensamento e da prática da escuta e do cuidado. .

A oficina está na sua segunda edição e surgiu das conversas entre a astróloga e artista Julia Francisca e a atriz chilena Veronica Galvez Collado que estuda Teatro do Oprimido e processos grupais na psicologia social. .

Oficina voltada para mulheres e público LGBT .

22 e 23/09, sábado e domingo, 15h às 19h

R$160 ou 2x de R$85

12 vagas

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local próximo ao estádio do Palmeiras

12 minutos a pé do metrô Barra Funda

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–> inscrições até 14/09 por aqui: https://goo.gl/forms/6J5Lg6X4bGJp2j542

Farejando Lilith: Diálogos

A série “Farejando Lilith” traz textos e imagens que buscam se aproximar do universo de Lilith na Astrologia.

O novo texto dessa série é “Lilith em Diálogo”, produzido por Julia Francisca e Viviane Gonçalves.

Texto em PDF: Lilith_em_Diálogo

“Ela usa uma roupagem selvagem porque estamos falando de algo que a gente não conhece. Ela não diz respeito a uma consciência feminina, a essa consciência aprendida, mas à consciência daquela que ouve a chuva pela primeira vez e que não sabe que é a chuva. Quando ela sai, se molha e percebe que aquilo também é dela, que aquilo se faz ela. É o nascimento dessa fertilidade, desse acontecimento que antecede tudo aquilo que é pensado sobre o feminino. Acho que a Lilith é o não-pensado feminino, porque se tirarmos tudo que a gente tem sobre concepção de feminilidade, de feminino, é nessa fresta que pode passar a Lilith, é conduzido um caminho de passagem.”

Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d'Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358
Untitled 1975-80 Francesca Woodman 1958-1981 ARTIST ROOMS Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d’Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00358

Farejando Lilith_ser terra

Da terra sangrenta, um ser de barro escuro toma forma

Da terra nasce primeira filha

sua carne, a carne da terra

Ela sabe, corpo que sabe

sentir a textura e os cheiros dos seres todos que habitam ao redor

ser terra

ser rocha

ser raíz

ser tronco

ser pele

ser pêlo

Ela tem olhos de vaca

seu olhar é plácido

contempla a beleza do que é

.

> Julia Francisca, 2015.

[será essa uma Lilith em Touro?]

[Imagem: Estatueta feminina mais antiga já encontrada, produzida entre 25.000 e 22.000 a.C.
“Vênus de Willendorf”. Possui 11 cm e encontra-se no Museu de História Natural de Viena.]

Farejando Lilith

Fotografia de Francesca Woodman
Fotografia de Francesca Woodman

Prelúdio

terra repousa em si

do repouso brota voz

canta silenciosamente

cantar silencioso da voz da terra que repousa

traz uma semente do céu

semente do céu

cai

cai

cai

vai de encontro ao silêncio

terra encharcada de sangue

surgem rochas as filhas mais antigas

as rochas guardam o cântico silencioso da terra dentro de si

surgem as feras

feras rasgam a terra

saem ensanguentadas a correr e urrar

suor das feras carrega canção silenciosa dentro de si

surgem animais

nos pelos penas dentes escamas órgãos patas

manchas de terra punhado de silêncio

terra aos poucos se faz carne

músculos veias órgãos ossos tripas

nasce primeira mulher

escorre leite dos seios da primeira mulher

leite forma poças poços lagos rios corredeiras oceanos

águas dançam

cada uma a seu ritmo entoam a música terra

despertam o vento

vento sacode os cabelos da primeira mulher

 cabelos entram na terra

saem raízes e árvores

árvores tocam os céus

com o afago das folhas

céus se comovem

choram

sementes gotas caem na terra

povoam ventre das feras animais mulher

todos os ventres carregam o cantar da terra

em todo seu silêncio

  • Julia Francisca, 2012

[ Essa é uma espécie de cosmogonia pessoal, onde o princípio feminino fecunda a si mesmo. Faz parte de um projeto de vida chamado “Mitologias Íntimas”. Eu sempre preciso de um pouco de coragem para trazer essas coisas ao mundo… ]

Oficina “Lilith e as representações da Mulher Selvagem”

ilustração por Julia Francisca
ilustração por Julia Francisca

Pessoal, mês que vem vai rolar a oficina de astrologia e arte “Lilith e as representações da Mulher Selvagem” no Centro Cultural da Juventude. Chamem as amigas! ♥

Dias 10 e 17/out, sábados, das 15h às 18h.
Oficina gratuita. Apenas para mulheres. 20 vagas.
Inscrições a partir de 22/set, no site www.inscricoes.ccj.art.br

>>> Oficina: Lilith e as representações da Mulher Selvagem

A oficina parte de uma pesquisa a respeito de Lilith (Lua Negra) na Astrologia e as representações da Mulher Selvagem na arte e na mitologia. A proposta é criar um espaço acolhedor apenas para mulheres, onde elas possam pensar juntas o caráter incivilizado e rebelde do Feminino. Haverá oportunidade para roda de conversa, criação e compartilhamento de produção literária e artística. Cada mulher que irá participar da oficina está convidada a levar seus textos, depoimentos, desenhos, referências e pesquisas sobre o tema.

Com Julia Francisca, astróloga e artista plástica, autora do blog Trama Celeste.

programação do Centro Cultural da Juventude
programação do Centro Cultural da Juventude